ESTAREI NUMA RELAÇÃO COM UM/A NARCISISTA? – VII

Indicadores de que o/a teu/tua Parceiro/a Pode Apresentar Traços Narcisistas

1: Necessidade Elevada de Validação (Fornecimento Narcísico)

  • Pode existir uma necessidade constante de atenção, admiração e validação externa.
  • Isto pode manifestar-se através da procura frequente de elogios e dificuldade em estar sozinho/a sem estímulo relacional.

2: Gestão da Fachada

  • Algumas pessoas apresentam uma imagem pública significativamente mais simpática ou prestável do que a forma como tratam o/a parceiro/a em privado.
  • Este contraste pode estar associado à necessidade de causar boa impressão e obter novas fontes de validação.

3: Limitações na Empatia Emocional

  • Pode existir dificuldade em reconhecer ou responder adequadamente ao sofrimento emocional do outro.
  • Como resultado, o/a parceiro/a pode sentir-se incompreendido/a ou emocionalmente desvalorizado/a.

4: Comportamentos de Controlo

  • Podem surgir atitudes de vigilância excessiva sobre onde está, com quem está ou o que faz.
  • Pode também existir expectativa de concordância total com opiniões, decisões ou perspetivas pessoais.

5: Dificuldade em Assumir Responsabilidade

  • A aceitação de culpa ou responsabilidade pelos próprios comportamentos pode ser rara.
  • Em situações de conflito, pode ocorrer a transferência de culpa para o/a parceiro/a, mesmo quando tal não é proporcional ou justo.

6: Projeção

  • Pode ocorrer a atribuição a outros de comportamentos, intenções ou falhas que pertencem ao próprio.
  • Este mecanismo pode funcionar como forma de defesa psicológica, reduzindo o desconforto associado à responsabilização pessoal.

7: Insinuações

  • Podem surgir comentários ambíguos ou indiretos sobre comportamentos inadequados ou transgressões.
  • Estas insinuações podem gerar confusão e, simultaneamente, uma falsa sensação de transparência ou controlo da situação.

8: Humor Ambíguo

  • Comentários apresentados como “brincadeiras” podem conter conteúdos significativos ou reveladores.
  • O uso do humor pode servir para minimizar a gravidade do que é dito ou para testar limites sem assumir responsabilidade explícita.

9: Linguagem Corporal

  • Atitudes não verbais podem transmitir desvalorização, superioridade ou desinteresse (ex.: gestos de desdém, afastamento físico).
  • A comunicação não verbal pode, por vezes, revelar atitudes internas não verbalizadas diretamente.

10: Sobrevalorização das Próprias Capacidades

  • Alguns indivíduos tendem a subestimar a perceção, discernimento ou autonomia dos outros.
  • Esta sobre-confiança pode levar ao uso de estratégias relacionais pouco elaboradas, facilmente identificáveis em contextos de maior consciência relacional.

11: Críticas às Ex-parcerias

  • Os/As narcisistas raramente falam das ex-parcerias de forma neutra ou responsável.
    A crítica não serve para refletir ou aprender: serve para proteger a auto-imagem e reorganizar a história a seu favor.
  • Depois do fim da relação, o narcisista precisa manter uma narrativa onde: ele/a é a vítima, o outro é o problema, não existe responsabilidade própria. Por isso, as ex-parcerias são frequentemente descritas como: “loucas”, “instáveis”, “emocionalmente dependentes”, “ciumentas”, “controladoras”, “dramáticas”. Esta crítica não é sobre o/a ex. É sobre apagar qualquer indício de culpa. Se todas as ex-parcerias foram “o problema”, então ele/a nunca precisa olhar para si.
  • É muito comum o/a narcisista desvalorizar retroativamente alguém que antes idealizou. Quem foi: “a pessoa perfeita” passa a ser “alguém sem valor”. Isto acontece porque: admitir que perdeu alguém valioso implicaria dor, reconhecer qualidades no/a ex implicaria perda real. Ao desvalorizar o/a ex, ele/a tenta convencer-se de que nunca perdeu nada.
  • Pessoas emocionalmente maduras criticam comportamentos específicos. O/A narcisista critica a identidade. Em vez de dizer: “houve problemas de comunicação”, ele/a diz: “ele/a é tóxica”, “ele/a é fraco”, “nunca bateu bem”. O objetivo é desumanizar, não compreender. Quando a identidade do outro é atacada, ele/a sente-se superior e protegido/a.
  • A crítica à ex-parceria não é apenas privada. É muitas vezes estratégica. O/A narcisista fala mal do/a ex aos amigos, família, novas parcerias. Assim, ele/a protege a reputação, isola o/a ex socialmente, impede que a versão verdadeira venha à tona. Quem controla a narrativa, controla a perceção.
  • O/A narcisista pode falar longamente sobre: o que sofreu, o que “aguentou”, o quanto foi injustiçado/a. Mas raramente reconhece: a dor que causou, o impacto emocional das suas atitudes. Quando confrontado/a, responde com minimização (“não foi assim tão grave”), inversão de culpa (“tu provocaste”), desprezo (“já devias ter superado”). A crítica serve para silenciar a dor do outro.
  • Para quem viveu a relação, a crítica parece injusta, contradiz momentos reais de intimidade, gera dúvida interna (“será que eu era mesmo assim?”). Mas esta confusão faz parte do padrão. A crítica do/a narcisista não é um retrato da realidade. É um mecanismo de defesa.

Estes indicadores devem ser avaliados à luz da frequência, intensidade e impacto emocional na relação. Relações saudáveis caracterizam-se por empatia mútua, responsabilidade partilhada, respeito pelos limites e espaço para divergência.

CONTINUA

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