A ‘AMBIVALÊNCIA DOS SENTIMENTOS’ ou a ‘AMBIVALÊNCIA EMOCIONAL’ caracteriza-se por uma DUPLA ATITUDE em relação a uma mesma pessoa, conteúdo vivencial ou representação mental – ou seja, a presença de sentimentos SIMULTANEAMENTE EMERGENTES, MAS CONTRÁRIOS E INCOMPATÍVEIS: benevolência e inimizade, amor e ódio, aceitação e rejeição.
Tomemos o exemplo das seguintes vinhetas: “a Maria gosta do Francisco, mas sente-se ressentida com o amigo por este lhe ter traído a confiança”, “o André odeia a mãe por esta o ter sujeitado a maus-tratos, mas também a ama pois ela foi a única referência afetiva que conheceu ao longo da sua infância e juventude”, “a Joana ama o pai, mas tem medo de não receber a sua aprovação”.
Em certa medida, a ambivalência é considerada UMA EXPERIÊNCIA ADAPTATIVA, já que vivenciar emoções opostas pode ajudar-nos a dissipar dúvidas, tomar decisões e lidar com situações de conflito. No entanto, VIVER EM CONTRADIÇÃO GERA ANGÚSTIA E MAL-ESTAR. O conflito intrapessoal, vivido pela pessoa que experiencia a ambivalência, expressa-se na luta interior “sim” e “não”, “eu quero” e “eu não quero”. Como resultado, ao repercutir-se numa relação, tende a TUMULTUÁ-LA DE INCERTEZAS E INSTABILIDADE.
Mais do que ser removida como desconfortável, a ambivalência deve antes ser corretamente ENTENDIDA, ACEITE E DEVIDAMENTE INTEGRADA na nossa experiência vital. Mas o que nos leva a sentir ambivalência emocional? Qual é a ORIGEM de tais sentimentos opostos? Estamos cientes das razões que nos levam a comportar-nos desta maneira? Que associações podemos traçar com os PADRÕES DE APRENDIZAGEM FAMILIAR a que fomos submetidos/as? Que relação existe entre a ambivalência e a FORMA COMO GERIMOS AS NOSSAS EMOÇÕES?
Com estima,
Carlos Marinho



